1.1.14

 

 Gerhard Richter, Neger (Nuba), 1964, 145 x 200 cm, Oil on Canvas, Courtesy of Gagosian Gallery © Gerhard Richter, 2012

 

 

 

 

 

 

 

Nuers e Dinkas

 

 

Do Sudão do Sul, 193° membro da ONU, chegam más notícias. O novo país, paupérrimo sobre ricas reservas de petróleo, de população dantes dada a religiões não-reveladas, mas mais ou menos cristianizada por missionários europeus e americanos durante o Condomínio Anglo-Egípcio, ficando integrado no Sudão desde a descolonização de 1956, entrara em guerras sangrentas com o governo muçulmano de Cartum durando mais de 20 anos para conseguir independência que o libertasse das tribos islamizadas e esclavagistas do norte. Guerras por fim ganhas pelo sul, tendo causado 2 milhões de mortos, esperava-se que houvessem cimentado sentimento nacional entre as duas grandes tribos pastoralista e guerreiras do país, os Nuers e os Dinkas (que há menos de um século andavam nus, viviam do gado, se administravam sem governo e combatiam à lança).

 

Esperança vã. Eleições deram maioria à tribo maior, os Dinkas; o Presidente eleito convidou um Nuer, para vice-presidente - mas correu com ele em Julho e a curta paz acabou. Em 9 dos 10 estados federados do país grassam guerrilhas, reprimidas com tortura e massacre de civis. Dinkas e Nuers resvalam para guerra com 50.000 civis a pedirem protecção à ONU (que dobrou para 12.500 a força que lá colocara). A conselheira de segurança do Presidente dos Estados Unidos fez às partes as exortações piedosas do costume – renúncia à violência; diálogo – mas Washington, sobretudo desde o show de Obama na Síria, não mete o respeito que metia.

 

O Sudão do Sul é ao lado da Republica Centro-Africana, à beira de guerra civil entre maioria cristã e minoria muçulmana que começaram a matar-se uns aos outros. Como a expedição ao Mali foi a coisa que menos mal lhe correu desde que é presidente de França, Hollande mandou logo tropa para Bangui, onde estão também forças da União Africana. Soldados do Chade, muçulmanos, já foram assassinados por cristãos locais. Perante o descalabro, Samantha Power, embaixadora americana na ONU, fez uma visita relâmpago a Bangui onde exortou toda a gente a portar-se bem prevenindo que os Estados Unidos “estavam atentos”. Autora premiada de livro sobre genocídio (que enferma da pecha americana de ver o mal e o bem a preto e branco), conselheira de Obama, sumida enquanto Hillary Clinton foi Secretário de Estado (dissera, julgando que um microfone estava desligado, que Hillary era “um monstro”) voltou à cena sem ter aprendido nada.

 

Se os Estados Unidos perderam de vez o jeito de agarrar o mundo pela pele do pescoço, como se agarra um gato – jeito que lhes ganhou duas guerras mundiais e a guerra fria - a megalomania de Putin, a convicção de superioridade dos chineses, agitar-se-ão para ocupar o lugar vazio. Nenhuma delas o conseguirá mas para os europeus vão ser tempos duros. Sem América forte e decidida não haverá ordem no mundo. E sem ajuda americana os europeus nem terão o preciso – reabastecimento aéreo, munições de precisão, espionagem – para mandar fazer pazes em brigas africanas.

 

 

Ano Novo feliz!

 

 

link do postPor VF, às 00:12  comentar

pesquisar neste blog
 
mais sobre mim
Translator
sitemeter
contador sapo