2.10.13

 

Segunda Semana:

 

Pois não, não é fácil. Eu sabia que não ia ser fácil e não é. Timor? Os timorenses? O clima? Não!!! Tudo isso é de caras. A terra é simpática, as pessoas acolhedoras, totalmente incompetentes mas sempre com um sorriso tímido. O pior são os taxistas. Será que existe uma recomendação internacional para que qualquer pessoa que não perceba uma palavra de língua nenhuma a não ser a própria (mais ainda numa terra onde praticamente só os estrangeiros apanham taxis...) e não conheça a cidade, tenha justamente que ser taxista? E custa sempre um dólar. Um norueguês a puxar pró arrogante lá do PNUD diz que os “locals” só pagam meio dólar e que portanto se recusa a pagar mais. Diz ele que não se pode pactuar com a terrível exploração do pobre estrangeiro (a ganhar 10 ou 20 vezes o que ganha um ministro, note-se...). Santa paciência!...  Os “locals” não só pagam 50 cêntimos como andam aos 8 e 9 num taxi. Não quererá ele impor o número máximo permitido num veículo automóvel de quatro portas aos timorenses? Os “internationals” às vezes têm destas coisas.

 

A semana de trabalho foi tão preenchida que de repente parece que passou um mês inteiro. Tive reuniões com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, do Interior, da Educação, o Procurador-Geral, o Chefe do Estado Maior, isto para só mencionar os postos mais elevados da hierarquia. Mas não se pense que já corri a Administração timorense porque para a semana há mais... Presidente do Parlamento, do Conselho Superior da Magistratura mais alguns ministros e secretários de estado...

 

 

 

 

E depois tive um fim de semana inteiro para mim. Ufff! Ontem fui ao mercado de artesanato – umas 10 bancas, todas rigorosamente com os mesmos panos (de resto lindíssimos) no meio dos quais lá consegui encontrar um chapéu de palha. Que alívio! Temo ter dado um bocadinho nas vistas. A única cobertura de moleirinha aparentemente admitida nestas bandas é o boné de baseball e só os rapazes usam. Algumas senhoras usam guarda-chuvas, ou melhor, sombrinhas. Mas não me dá jeito nenhum. Depressa esgotei o comércio disponível naquela rua. Resolvi então ir até à Areia Branca, a tal praia onde se encontram pedaços de coral azul. E era isso mesmo que me apetecia fazer. Passear à beira mar e apanhar conchinhas.

 

 

 

 

Isabel Feijó

excertos de carta enviada a alguns amigos durante a sua primeira missão em Timor ao serviço do PNUD, em Novembro de 2003

 

Fotos de Pedro Martins

 

Uma entrevista com Isabel Feijó sobre o seu trabalho em Timor aqui

 

 

 

 

link do postPor VF, às 12:23  comentar

De Margarida Feijó a 7 de Outubro de 2013 às 01:21
Ai Vera, que bom que é (re)ler estas cartas! Não só volto a Timor como me volta a Isabel. Estou a ouvir estes relatos deste (e de outros) povo doido! Obrigada! :) um beijinho*

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