4.9.12

 

... No virar do século XIX para o XX é numerosa a família que habita a casa da Carreira. Além do casal, Maria Luiza e Bento, e seus seis filhos, nela vivem também: Severiana, tia de Maria Luiza; Joana que, enviuvando, se recolhe com quatro filhos a casa da irmã; Angelina que, solteira, é chamada a viver com o irmão Bento.

A miss, a costureira, a cozinheira, as criadas de dentro, o cocheiro e os criados do quintal são os outros habitantes da casa. Todos os cómodos eram poucos para acolher tanta gente e frequentemente se tinha que arranjar quartos para acomodar os novos casais com filhos...

Conhecida a partir dos meados do século XIX por Casa da Carreira — quando o seu proprietário, Diogo Gomes de Abreu e Lima, recebeu o título de Visconde da Carreira — é hoje erradamente chamada Palácio dos Távoras, pois sem­pre foi uma casa familiar sem estrutura de palácio. Durante quatrocentos e quarenta e quatro anos esteve nas mãos da mesma família, sem lutas entre irmãos pela sua posse, acatado o direito do morgado de decidir dos seus destinos, tendo sido sempre enriquecida e melhorada por todas as gerações. Tal como na primeira geração, é ao longo dos tempos que pelos casamentos das filhas herdeiras entram na família apelidos nobres: Abreu, Castro, Pereira, Távora, Faria da Costa e Pita Malheiro. Com estes, mercês, vínculos e casas — Mosteiro em Vitorino das Donas; Outeiro, Agrela, Boavista e Covelas em Ponte da Barca; Lapela, Rodas e Pedra em Monção.

Os apelidos não servem para deles tirarmos proveito, mas como elo de ligação que nos assegura sermos a conti­nuação de várias pessoas, Catarina, Inês, Arcângela, Luiz, Diogo; «são sempre algo mais do que um nome, e é por esse algo que somos verdadeiramente filhos dos nossos pais»1.

 

 

Maria Teresa Távora 

in Um Passeio pela Casa da Carreira  pg. 16-18


NEC DOMUS DOMINUS,

SED DOMINO DOMUS

HONESTANDA EST*


© M. Teresa Távora, Braga, 1999


 

1   Gonzalo T. Ballester, «Os Prazeres e as Sombras, I - Vem aí o Senhor». pg. 46.

 


* NÃO É O DONO QUE DEVE SER HONRADO PELA CASA, MAS A CASA PELO DONO



 

 

Maria Luiza e Bento,  4ºs Viscondes da Carreira


 

 

os seus 6 filhos circa 1900:

 Luís António, Augusta, Maria da Luz e Luísa

no chão: João e Maria José




 

 Os 4ºs Viscondes da Carreira, no pátio da Casa da Carreira, com os seus seis filhos, genros e netos, no baptizado de um destes, Joaquim, primogénito de Maria Augusta e Joaquim Lobo de Miranda.1ªa fila: Casimiro Sacchetti (filho de Maria da Luz e Casimiro Sacchetti, assim como todas as outras crianças que estão de pé); Maria de Jesus (mulher de Luís António) com o filho de ambos, Luís; Viscondes da Carreira tendo entre eles a neta Maria das Dores Sacchetti; José Sacchetti; Angelina Rosa (irmã do Visconde); Augusta com o filho Joaquim; António Sacchetti.Em pé: Luís António; Luísa; Casimiro Sacchetti e sua mulher Maria da Luz; João; Maria José; Joaquim Lobo de Miranda.



 

 


Um Passeio pela Casa da Carreira*, memória reconstruída por uma descendente da família que possuiu a casa, com base no arquivo familiar e nos testemunhos de primos que na infância ali viveram ou passaram férias, e das histórias que sua avó materna, Maria José, lhe contava em pequena, é um contributo exemplar para a História da família e das casas senhoriais em Portugal.

 

A forma (aparentemente) simples como Maria Teresa Távora nos faz visitar cada uma das dependências da Casa da Carreira enquanto nos vai descrevendo episódios da sua história e da vida dos seus ocupantes ao longo dos séculos — dos mais ilustres aos mais modestos, sem esquecer ninguém — não é só um modelo inspirador para trabalhos de investigação histórica e de transmissão da tradição oral como uma reflexão inspirada sobre a passagem do tempo e o significado da palavra nobreza.

 

 

Nota:

A Casa da Carreira é uma das duas casas, ligadas interiormente, em que se encontra hoje instalada a Câmara Municipal de Viana do Castelo. O conjunto imponente é consensualmente considerado um dos mais bonitos Paços do Concelho do país.

 

 


 

link do postPor VF, às 13:55  comentar

De luisa feijó a 5 de Setembro de 2012 às 22:09
que surpresa tão bonita! as fotos estão perfeitas e que emoção ver a(s) avó(s) figurar no retrovisor. um dia destes mando-te a receita dos queques e de como se fazem as caixinhas. Tu mereces!
Beijo muito grande - luisa

De VF a 5 de Setembro de 2012 às 23:51
E eu gosto tanto de os ver aqui, junto dalguns dos seus contemporâneos :-)

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