Postal de minha Mãe para sua irmã Stella, de um conjunto oferecido por meu primo Miguel Freitas da Costa, a quem muito agradeço.
Outro postal de Margarida para Stella aqui
Num conjunto muito variado de textos, Eduardo Côrte-Real discorre com simplicidade e humor sobre a descoberta doutras paisagens, povos e mentalidades à luz dos seus autores de cabeceira e da sua história pessoal de filho do Império:
"nesta parte do mundo [Macau], os portugueses fizeram-se à vida sozinhos, verdade que nem sempre se conta, só isso já dá a dimensão da aventura de quem vai para a China, para a civilização mais antiga de todas, agora um gigantesco casino, com Moulin Rouge e tudo" ... "Em Moçambique o apartheid era uma realidade, nunca tive um colega de escola preto e fiz lá o liceu todo. Naquele tempo, entretido a crescer, não me parecia estranho. Os únicos pretos com quem falávamos eram os nossos criados — sete."
O Médio Oriente, a Rússia e a China registados pelo autor nos finais do século XX também já não são hoje exactamente os mesmos, e nesse subtil desfasamento reside outro dos interesses deste livro.
índice de capítulos aqui
Tive a sorte de viver, longamente, em três continentes - Africa, Ásia e Europa. O persa de Homero, esse ainda desconhecido dos europeus e, no entanto, a viver ao nosso lado, foi o meu best friend nesses idos. Também gosto imenso da América, tanto do norte como de alguns países do sul, daqueles onde não mora o pecado como no Brasil, a glória portuguesa. Gosto de árabes — o que é raro nos europeus — uma matriz complicadíssima porque política e religião são do mesmo grupo de conceitos neles. [...] Não há lares de terceira idade na China, o filho mais velho toma conta dos pais até eles morrerem. É assim. Praticar o Li (o bom caminho) não é muito diferente das éticas gerais, religiosas ou ateias. Individuo versus Universo é a questão do confucionismo chinês. O Ocidente individualista deusificou a Humanidade - mais interessante para filosofar — que a abstração dessa alma coletiva chinesa, nunca individual. No confucionismo não há salvação isolada, egoísta, nem alminhas. O historiador, o antropólogo, o humanista ocidental europeu, o jornalista, levo-os a todos como se fosse a escova de dentes, se possível sem eurocentrismos que são só excesso de peso. Não é só fazer a mala. É saber ao que vamos.
Eduardo Côrte Real
in Vagamente à procura de Pasárgada (Introdução)
© RCP Edições 2012
Leia o poema Vou-me Embora pra Pasárgada de Manuel Bandeira aqui
* sobre este assunto leia o artigo "No rasto de António da Loja" de Abel Coentrão no jornal Público aqui e, neste blog, aqui e aqui
* * *
As imagens que vemos neste livro, como de um modo geral as fotografias o fazem, conduzem o leitor a uma viagem num tempo. São imagens snapshot, tiradas no calor do momento e das emoções experimentadas, quer pelos fotografados, quer pelo fotógrafo. Retratam uma geração que reúne gentes de vários quadrantes artísticos, durante a década de setenta e princípios de oitenta.[...]
Roll Over fica como um retrato de uma época que ainda está (em certa medida estava) por fazer e que sem dúvida gerará outros que o completem; numa época em que a imagem digital faz desaparecer a importância da fotografia e do snapshot pela imensidão de imagens que se podem gerar em cada segundo, este é um arquivo valioso para a memória destes anos e que complementa qualquer história do «rock português». Mas é-o sobretudo pelo estilo de aproximação, pela forma como sublinha a cena em detrimento do personagem individual que nela se destaca, o acto em detrimento da pose, a dinâmica literal em detrimento do esteticismo.
Margarida Medeiros
in Roll Over adeus anos 70 de José Paulo Ferro
no texto de introdução "A estética snapshot: imagens quase privadas de uma geração"
contracapa
São 563 letras do universo pop/rock entre 1955 e 1980 recolhidas e traduzidas para português ao longo de três décadas. [...] Para o autor, muita desta história vive-se na profunda intimidade com a beat generation e com uma linhagem em que os melhores poetas não só se ligam aos beatniks como prolongam ainda uma linha de heróis - "são sempre os mesmos: William Blake, Mallarmé, Rimbaud, Baudelaire, Walt Whitman, Garcia Lorca, Yeats" - vinda desde o século XVIII. É precisamente neste enfiamento que reside um dos mais robustos argumentos de Estro in Watts: o de que esta poesia não deve ser menorizada perante aqueloutra publicada em livro apenas porque "tem repetições, acompanha o ritmo de elocução verbal e tem uma métrica que é a da respiração". "Estes grandes poetas seriam sempre grandes poetas de livros, mas escolheram a música porque acharam que era esse o veículo." [...] "Esta cultura foi, para mim, uma escola. Há uma geração pós-25 de Abril que se reclama marxista. O meu marxismo foi a música, foi o rock. Aprendi a ser adolescente não tanto lendo livros teóricos mas a viver isto." Agora, com este conjunto de 563 poesias de 170 autores, talvez muitos dos que privaram com estas canções no devido tempo possam prestar uma outra atenção aos textos.
Excertos do texto de Gonçalo Frota in jornal Público aqui
Esta antologia poética e um álbum de fotografias* recentemente lançados são interessantes testemunhos da cultura pop/rock em Portugal. A geração que cresceu nos anos 60 em Portugal, na qual me incluo, deve a sua educação neste género musical à excelência da nossa rádio. Dessa época recordo em particular o programa "Em Órbita", que servia diáriamente um menu de luxo e no fim de cada ano apresentava aos ouvintes o seu top 10, excluindo Bob Dylan, colocado pelos responsáveis acima destas classificações. Vinte anos mais tarde, no início dos anos 80, foi o fim do programa radiofónico "A Idade do Rock" que inspirou João Menezes Ferreira a lançar-se neste projecto de antologia bilingue, agora concretizado e a que nenhum apreciador do género pode ficar indiferente. No meu caso pessoal, revisitar o universo pop/rock anglo-saxónico é recordar parte importante da minha adolescência e juventude e imensos bons momentos da minha vida adulta***. Estou curiosa de redescobrir os textos, nas duas línguas.
Notas:
* O livro de fotografias Roll Over adeus anos 70 de José Paulo Ferro, que apresentarei em post separado.
Edições Documenta com o apoio da Fundação EDP.
** A minha telefonia nos anos 60 aqui
*** Leia a este propósito o post "Michael Jackson" aqui
a pop francesa e o programa "Em Órbita" aqui
um bom comentário sobre Estro in Watts aqui
Presented to Alexandra Feodorovna by Nicholas II
Dated 1912
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Designed in the style of Louis XV, this egg is carved from a solid block of lapis lazuli of superb quality, and is enclosed in an elaborately carved and chased gold cage-work composed of conventionalized motifs including scrolls, shells, baskets of flowers, winged cherubs and the Imperial double-headed eagle beneath a canopy hanging from a fretted arch. The crowned Imperial monogram and the year are shown under a rectangular portrait diamond surmounting the egg; a large brilliant diamond is set in the base. Inside the egg, a crowned double-headed Imperial eagle, richly set back and front with rose diamonds, frames an oval miniature painting of the Tsarevitch Alexey; this important jewel is supported on a diamond-set base with four diamond leaves, curled to serve as feet. The reverse side frames a miniature showing the back of the eight-year-old Prince.
Here in this whole composition is a striking instance of the beauty of the frame, surpassing by far the picture it holds, for it must be confessed that the miniature portrait, which is understandably not signed, provides in its weakness of execution, a melancholy anti-climax to a good design.
Signed by Henrik Wigstrom.
In the Lillian Thomas Pratt Collection of the Virginia Museum of Fine Arts.
Kenneth Snowman
in The Art of Carl Fabergé
New York Graphic Society Ltd 1964
© Kenneth Snowman 1962
Another Happy Day#1
© Rita Barros, até 15 de Abril 2013 em Lisboa*
Displacement 2 é o diário de um luto. Em 2011 o Chelsea Hotel em Nova Iorque, catedral da cena underground dos anos 60, e onde Rita Barros vive desde 1984, foi vendido e fechado ao público. O edifício está em obras. Os residentes de longo prazo estão a ser alvo de acções de despejo e assistem impotentes ao desmoronamento gradual do seu quadro de vida, um quadro de boémia artística e de relacionamentos privilegiados porventura condenado à extinção nos tempos que vivemos hoje. A globalização fez com que as grandes metrópoles ficassem mais parecidas umas com as outras e cidades como Nova Iorque e Londres tornaram-se muito caras. Deixou de haver lugar para a improvisação. Displacement 2 poderia chamar-se The Party is Over. Nunca mais o Chelsea Hotel será a casa que Rita Barros retratou em 1999, no livro Quinze Anos: Chelsea Hotel.
Desde 2011 Rita Barros regista a "remodelação" do Chelsea e com ela a dissolução de todo o seu universo mais íntimo, através de pequenas acções dramatúrgicas que ela própria concebeu e interpreta, fiel ao espírito de liberdade artística e irreverência que presidiu ao mítico hotel.
Nesta segunda série de fotografias, iniciada no verão de 2012, os tijolos do jardim do telhado, entretanto destruído, adquirem o estatuto metafórico da representação dos sólidos alicerces da casa então construída e agora transformados em desperdício, mas transformados também em arma de arremesso contra a dor da perda, pessoal e colectiva.
*Até 30 de Abril 2013
Loja da Atalaia
Av. Infante D. Henrique, Armazém B, Loja 1, Cais da Pedra a S. Apolónia
1950 -‐ 376 Lisboa
Notas:
Post adaptado de texto de António Calpi, na íntegra aqui
Uma fotografia do livro Quinze Anos: Chelsea Hotel neste blog aqui
Entrevistas de Rita Barros aqui e aqui
in English here
R.B. Kitaj The Rise of Fascism, 1975–1979 Pastel, coal and oil on paper
© Collection of R.B. Kitaj Estate
... la méditation sur le totalitarisme, c'est-à-dire sur la négation totale de l'homme et de ses droits, conduit Hannah Arendt à ratifier la critique réactionnaire des droits de l'homme. Cet itinéraire est singulier.
Singulier peut-être, mais imposé par la force des choses. Du déracinement des apatrides à l'internement concentrationnaire, la négation de l'humain a pris la forme de la désolation, c'est-à-dire de la privation de sol, de l'expérience radicale et désespérée d'une absolue non-appartenance au monde. Il faut un monde à la liberté. Ce n'est pas n'importe où, n'importe comment, mais au sein d'un peuple, dans un certain milieu vital, à l'intérieur d'une communauté politique, que l'homme peut vivre en tant qu'homme parmi les hommes, c'est-à-dire «exprimer des opinions signifiantes et mener des actions efficaces1». Voilà ce que nous apprend, a contrario, un siècle dévasté par la volonté totalitaire de dissoudre le monde humain dans le progrès de l'Histoire. Lutte des races, ou lutte des classes, il n'y a de lois dans l'univers totalitaire que comme lois du mouvement : il n'y a de réel que le processus historique, il n'y a de vivant que l'humanité en marche et, au bout du compte, il y a la formule glaçante de l'Angkar (l'organisation des Khmers rouges): « Te perdre n'est pas une perte, te conserver n'est d'aucune utilité 2. » Sous le règne de l'Homme, les hommes finissent par être tous superflus. En d'autres termes, la négation ontologique de l'individu accompagne l'anéantissement du monde dans le fleuve du devenir. C'est l'événement donc, et non le caprice, qui a conduit Hannah Arendt à refuser de choisir entre l'ordre et le mouvement. Elle a vu le mouvement engloutir simultanément toute stabilité et toute initiative.
Oui, Hannah Arendt est conservatrice, car elle a peur. Elle n'a pas peur pour ses biens. Ayant éprouvé la fragilité de la permanence, elle a peur pour le monde. Proche ici de Simone Weil, elle a peur pour cette chose belle, gracieuse, fragile et périssable qu'est la patrie non mortelle des mortels que nous sommes. Elle a peur pour la loi positive qui entoure tout nouveau venu de barrières et, en même temps, assure la liberté de mouvement, la possibilité qu'il advienne quelque chose de nouveau et d'imprévisible. Elle a peur pour la trame symbolique, la communauté de sens qui nous relie non seulement à nos contemporains mais aussi à ceux qui sont morts et à ceux qui viendront après nous. Elle a peur pour le passé, pour le temps humain, pour la continuité qu'instituent les objets et les œuvres, pour le cadre durable au sein duquel peuvent se déployer l'action et la création.
Non, Hannah Arendt n'est pas conservatrice, car elle n'aspire pas davantage au rétablissement de l'ordre qu'à l'instauration d'une société organique où les tâches s'accompliraient naturellement, sans discussion, sans invention, sans projet, indépendamment des volontés individuelles. Il ne s'agit, en aucune façon, pour elle, de restreindre la faculté d'agir à ce que la tradition prescrit ou de fondre la multiplicité des personnes dans l'unité substantielle de je ne sais quel Volksgeist. Le monde dont elle a le souci est bien un héritage, mais cet héritage ne se présente ni comme un modèle de comportement, ni comme une identité collective. Arendt est simplement payée pour savoir que l'autonomie n'est pas donnée comme une nature, qu'elle n'est pas une propriété inaliénable de chacun de nous. Le siècle lui a appris à faire la différence entre les conditions d'une vie humaine et les conditionnements ou les aliénations de la liberté. Burke : l'homme est d'abord un héritier. Paine : l'homme est d'abord un individu. Arendt : le déshérité ne peut pas accéder à une existence individuelle.
Alain Finkielkraut
in L'ingratitude (IV. L'impudence des vivants)
Conversation sur notre temps avec Antoine Robitaille
pp. 156-158
© Éditions Gallimard, 1999 et 2000
Notes:
1. Hannah Arendt, Les origines du totalitarisme, l'impérialisme, Seuil,1984, p.286
2. Cité dans Le livre noir du communisme, Robert Laffont, 1997, p.654
Desk Murder
Oil on canvas, 76.2 x 122 cm, c.1970–1984
R.B. Kitaj (1932-2007)
em Londres até 16 de Junho de 2013 aqui
Leia aqui
Elisa Silva Santos, Alice Ribeiro, Eduardo Silva Santos e Estolano Dias Ribeiro
Anos 20 do séc. XX
Vivi sempre com o desgosto de não ter conhecido este avô (nem o outro),e contavam-me pessoas que com ele privaram que era uma pessoa irresistivelmente encantadora. [...] Muito jovem foi trabalhar para Moçambique. Terá sido aí que estabeleceu uma amizade muito forte com Estolano Ribeiro, e trabalhado com ele, na Companhia do Boror de que também viria a ser accionista. A amizade com Estolano Ribeiro esteve na origem de uma relação de uma enorme familiaridade, madrinhas e afilhados para cá e para lá, e que ao fim de três gerações se mantém viva. Os dois amigos e as suas mulheres formaram um eixo que sustentou e relacionou afectos, entreajudas, o afirmar de um certo estilo/ espírito, mitologias – de que eu próprio fui herdeiro, como se fosse possível comungar de património genético por afinidade. [...]
Update 001
Não tropecei propriamente no registo de nascimento do meu avô. Andei laboriosamente à procura dele. Sabia que era escorpião, e a partir do registo de nascimento da minha mãe, que refere a idade dele, e da minha avó, determinei que ele tinha muito provavelmente nascido entre Outubro e Novembro de 1879. E ela em 9 de Setembro de 1894. Ouf! Seguiu-se uma segunda ida para a Torre do Tombo. A Torre do Tombo é uma experiência. A escala, os materiais, o silêncio. A função. Alguém na portaria dirigiu-se a mim como Sr. Investigador Shiii! Durante duas horas literalmente "lambi" não papel mas microfilme, dando à manivela nos registos paroquiais da Freguesia do Santíssimo Coração de Jesus. Rolo 1.538. Nada. Rolo 2.642. Outras freguesias. Rezei o responso a São Tomás de Vila Nova. E mesmo, mesmo, no fim dos registos, próximo da "data extrema", na margem do livro aparece um simples Eduardo. A próxima coisa em que os meus olhos pousaram, curiosamente, foi o nome Rozebel. Invadiu-me um sentimento de calma enorme, e de exaltação também. Agradeci ao Altíssimo ter-me finalmente levado aos meus.[…]
Preciso do casamento, e já agora do óbito. Seguiram-se 24 horas de alta voltagem. Estas descobertas deixam-me num estado quase febril, é o encontro com a verdade, os registos contam-me a verdadeira história, muito mais nítida e útil do que as minhas memórias e a tradição oral que carregava comigo há anos.
Logo de manhã: Conservatória. De uma assentada a transcrição do registo que já tinha visto, e logo a seguir o de casamento e o de óbito. Um manancial de informação e muitos recantos da minha história - e da deles - iluminados.
Joaquim Martinho
in 1912 um superalbum
Edição Súbita, Associação de Desenho e Cinema
©2012 Joaquim Martinho
Este livro dedicado a um neto, para um dia ele “saber de onde vem este avô”, reúne cerca de trinta membros da família do autor num mosaico de histórias dos últimos cem anos em Portugal. Alguns retratos e paisagens recordaram-me pessoas e ambientes do meu próprio passado e, a par do importante trabalho de transmissão às gerações seguintes, é neste reconhecimento que reside a meu ver o grande encanto dos álbuns de família dos outros*. Neste "superalbum" também apreciei particularmente o modo como o autor vai partilhando o seu work in progress e as reflexões que o mesmo lhe vai suscitando.
* Mais sobre a fotografia vernacular aqui
Portugal c. 1935
A minha Mãe tinha muito gosto e paciência para nos mascarar no Carnaval. No castelo de S. Jorge houve uma festa comemorativa das Guerras Peninsulares, (século XIX) um grupo de jovens oficiais e soldados foram vestidos à época das tropas de D. Pedro e D. Miguel, e nesse ano o meu irmão foi vestido a «rigor» como oficial de Caçadores 7.
Eu que só tinha quatro anos, levava um vestido império azulão, uma touca com paradis verdadeiros, tudo no mesmo tom. Como o vestido era comprido, não era fácil brincar, sem descoser e por vezes rasgar. A Mãe à noite cosia e remediava os "estragos".
Nos dias de Carnaval íamos às matinés ou então à "amostra" a casa dos Tios, Avós e outras pessoas amigas. O meu Irmão tinha um porte impecável, nada saía do lugar, era um oficial verdadeiro, com a sua cartola muito alta e a "canana" para os apontamentos (que eram feitos com um lápis pequenino). Quase sempre ganhava o 1o prémio nos cinemas S. Luís, Capitólio, e outras salas de espectáculo. Éramos um par muito bem mascarado mas eu desmanchava-me sempre, e no fim da tarde a diferença entre o aprumo do Luiz e o meu desalinho era bem visível.
Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa
in Memórias e Saudades
Publicado em 2011
Um bonito álbum, muito bem escrito e ilustrado, de uma Senhora que ao fazer oitenta anos reuniu recordações do antigamente para os filhos, netos e bisnetos. Publicaram-se apenas três exemplares neste formato.
Ce qui longtemps m'a surtout frappé dans une vie, c'est le divertissement, tel que Pascal l'a défini: ce que nous inventons pour ne pas penser à nous-même et à l'horreur de notre condition, depuis la balle qui se pousse du pied jusqu'au lièvre que nous forçons, depuis les peuples qu'il faut asservir, si nous sommes César, jusqu'aux êtres qu'il faut posséder, si nous sommes Don Juan.
Aujourd'hui, ayant observé tant de destins, à travers les confidences et les livres, ou parce que j'y suis moi-même intervenu, je vois mieux que beaucoup parmi nous ne se divertissent que pour donner le change, qu'ils gardent au contraire les yeux sans cesse ouverts sur leur sort, celui de toute créature qui, même comblée, est menacée de partout à la fois: dans sa chair où la mort, bien longtemps avant de frapper, a planté ses petits drapeaux, dans son appartenance à une espèce très proche de celle des poissons et qui s'entre-dévore, « s'entre-torture » — et non pas seulement, comme dans les autres espèces, autour des femelles ou parce que l'animal est carnassier et a faim, mais parce qu'il est né assassin et bourreau de ses frères.
Non, pour la plupart, nous ne cherchons pas à nous divertir, nous nous interdisons de détourner notre regard, même quand nous feignons de jouer. Un seul moment d'inattention et la bête féroce peut d'un bond être sur nous.
Je connais mes défenses. Il m'arrive de m'interroger sur celles des autres — celles des vieillards surtout. La jeunesse trouve son refuge dans son propre tumulte. L'amour, l'ambition, ce qui s'appelle le plaisir, y entretiennent des remous qui se détruisent l'un l'autre. Non que l'angoisse ne soit là déjà. Elle était là dès l'enfance: nos yeux grands ouverts dans la chambre sans lumière, lorsqu'il nous semblait entendre un pas furtif dans l'escalier, une respiration derrière la porte, exprimaient sans doute le même effroi que nous avons appris plus tard à dissimuler, que nous avons dominé mais non détruit. Ou plutôt ce qui n'était qu'instinct est devenu raison. Les pas dans l'escalier, c'est en nous-mêmes que nous avons appris à les entendre et non dans un seul escalier: combien débouchent de partout sur une seule vie ! Il en est qui montent des profondeurs de la race et de notre propre chair, et d'autres d'une créature aimée. La condition humaine, ce titre de Malraux, pose l'unique question et il y faut répondre, non par une nécessité logique, mais pour notre propre défense. Comment font les autres? Qu'y a-t-il au secret de ces vies?
François Mauriac
in Mémoires intérieurs
© Flammarion, 1959
27 May 1977 -French writers Bernard-Henri Lévy and André Glucksmann
converse on the set of the television show Apostrophes
Photo: © Sophie Bassouls/Sygma/Corbis
J'ai, pour commencer, été qualifié de philosophe à mon corps défendant. J'avais certes parcouru la succession d'examens et de concours qui vous sacrent professeur de ladite discipline. Je n'estimais pas que les palmes du « philosophe » pussent pour autant être déposées sur mon front. Je croyais que les détenteurs de ce titre prestigieux se comptaient sur les doigts de la main : Platon, Aristote, Descartes, Kant, Hegel. Peut-être Heidegger l'avait-il mérité du temps de sa jeunesse mais il compromit son titre en appelant étudiants et collègues à suivre le Führer. Pis encore, chacun ayant droit à l'erreur, il avait, après la capitulation du Reich, tenté, trente longues années, comme un gros chat, d'enterrer ses déjections dans le sable de sa théorie. Du moins me semble-t-il après lecture attentive. Passons.
Si, jeune homme, je plaçais la barre de la « grande philosophie » très haut, trop haut pour moi, mes contemporains au contraire la situaient très bas, plus bas que terre, car la prétention à la «sagesse» était passée de mode. Ils se voulaient alors savants et objectifs; ils s'affichaient sociologues, structuralistes, linguistes, économistes, dépositaires de savoirs plutôt qu'animés du désir de savoir. Le marxisme-léninisme, version École normale supérieure, régnait. Le vent tourna, dans les années 75-80, quand beaucoup de mes semblables se mirent à signer «psychanalyste et philosophe», «mathématicien et philosophe», biologiste et... historien et... écrivain et philosophe. La 2 CV Citroën se vit sacrer dans les gazettes «voiture philosophique». Que s'était-il passé? En déboulonnant les idoles du marxisme hégémonique dans l'intelligentsia parisienne, peut-être ai-je contribué à ce renversement. Lorsque de bonnes plumes rejoignirent mes blasphèmes, Bernard-Henri Lévy et les médias baptisèrent un peu abruptement cette cohorte provisoire et volatile «nouvelle philosophie». Si la science du matérialisme historique pliait sous les coups, force était de conclure que la volée de bois vert administrée, au nom de la philosophie, sur les adeptes de la dictature du prolétariat n'était pas aussi frivole qu'on aimait à le dire.
Je ne laissai pas d'être surpris du retentissement de mon essai intitulé La Cuisinière et le Mangeur d'hommes sous-titré insolemment : «Essai sur le marxisme, l'Etat et les camps de concentration». Le voisinage des termes sonna comme un coup de carabine dans un ciel serein. Mon éditeur avait laissé dormir le manuscrit dans son tiroir pendant plus de six mois, anticipant la diffusion médiocre d'un texte qui heurtait ses convictions de gauche. Sorti le 15 juillet 1975, sans intervention télé, un seul passage radio sur Europe dans la folie des départs en vacances, mais soutenu par un bouche-à-oreille flatteur et imprévu, porté par quelques articles spontanés et enthousiastes de gens que je ne connaissais pas ou mal (1) , il tourna très vite au best-seller.
Des dizaines de milliers d'exemplaires s'arrachèrent dans les librairies et s'échangeaient sur les plages. C'était drôle, curieux, inattendu. J'avais écrit dans l'isolement le plus extrême, sans souci du public, juste pour exprimer la rage et le désir que je partageais avec quelques amis de «ne pas mourir idiot». Le brûlot véhiculait une révolte à fleur de peau contre le plus grand mensonge du siècle : le communisme. Il était rédigé par quelqu'un qui y avait goûté dans son enfance et que le Tout-Paris estimait «de gauche». Je jouissais d'une «bonne réputation». ...
André Glucksmann
in Une rage d'enfant
[Chapitre 8. A quoi sert la philosophie ? * pp. 172-174]
Hachette Littératures
© Plon, 2006
1. Remerciements à Maurice Clavel, Jean Daniel et Bernard-Henry Lévy.
* Où il est suggéré que se connaître soi-même, c'est connaître Typhon en nous. D'où l'utilité des infos de 20 heures et l'examen des liaisons dangereuses: Freud et Junon, Alcibiade et Socrate, le prince Potemkine et le neveu de Rameau, Poutine et moi.
Paris, Mai 1968:
Photo: © Serge Hambourg
[...] Depuis trois jours, les étudiants parisiens manifestent violemment. Le jour, ils entreprennent de dépaver le boulevard Saint-Michel. La nuit, ils font la fête. Puisque la police occupe la Sorbonne, Daniel Cohn-Bendit tient salon sur la place, un millier d'étudiants l'entourent, assis sagement en tailleur sur le basalte, disposés à résister si les forces de l'ordre tentent de nettoyer les lieux. Un sondage conforte leur optimisme, paru dans la presse du matin: la population de Paris trouve les protestataires plutôt sympathiques, quoi que dise le gouvernement, malgré le boss du parti communiste qui dénonce «l'anarchiste allemand » fauteur de troubles, donc le complot de l'étranger et la CIA.
Le «rouquin sublime» tient le mégaphone lorsqu'un vieil homme très digne, très droit, une cape noire jetée élégamment sur l'épaule, fend la foule. Il vient, dit-il, «saluer» les révoltés. Il tient à désavouer publiquement son parti. Mazette! Une gloire nationale s'avance. Son nom circule comme une traînée de poudre, «Aragon!». Les étudiants sont médusés, « le » poète de la Résistance française, l'étoile du surréalisme et l'ancien porte-drapeau des intellectuels staliniens a sauté le pas. Il sourit à la foule, salue, prononce quelques paroles bienveillantes et, tel un dieu vivant, savoure par avance l'ovation.
Dany interrompt le début de messe, reprend sans ménagement le mégaphone, et, avec la gouaille qui lui colle à la peau, lance au grand écrivain stupéfait « Très bien! tu es avec nous, mais, avant que nous ne soyons avec toi, réponds de ton passé ! Tu as chanté "Hourrah l'Oural" quand des millions et des millions de Soviétiques étaient déportés, exterminés par le NKVD. Explique tes élégies à la gloire de Staline ! Tu n'as pas le droit de tromper à nouveau.» Et le jeune «mal élevé», qui eût tant plu à l'Aragon surréaliste, enchaîne sans pitié : «Aragon! tu as du sang sur tes cheveux blancs.» Le prince des poètes, livide, s'est figé. Pas un son ne sort de sa bouche, une grimace vient tordre son beau visage. Il tourne les talons et repart penaud. Courbé sous le poids de ses mensonges? La magie de l'insolence venait d'assener une belle leçon d'histoire. De celles qui permettent de comprendre, trente-cinq ans après, la jeunesse orange d'Ukraine et les roses de Géorgie. De quoi moins s'étonner quand Tbilissi ovationne Bush contre Poutine.
Ne voyez pas là un négligeable incident de parcours. L'originalité et l'éclat du Mai français tenaient à sa rupture, encore balbutiante et souvent inconsciente, avec l'idéologie communiste. Ailleurs, en Europe, il en allait tout autrement.[...]
André Glucksmann
in Une rage d'enfant
[Chapitre 6. La tentation de Combray * pp.130,131]
Hachette Littératures
© Plon, 2006
* Où l'on rencontre Mai 68, Jean-Paul Sartre et Tante Léonie. Qui donne congé à l'Histoire touche à une éternité pas belle à voir. Comment en soixante ans, Paris a zappé du discours de la victoire au discours de la défaite. Dans une Europe degré zéro, les guerres des mémoires tiennent lieu d'aphrodisiaque.
Image: Student leader Daniel Cohn-Bendit raises his arm for silence to allow poet Louis Aragon to talk to students on a megaphone.Courtesy of Serge Hambourg ici
« Le fond de l'amour c'est de penser à quelqu'un hors de sa présence, puis hors de propos, puis malgré la présence », écrit Hector Bianciotti rendant compte de la correspondance entre Rilke et Magda von Hattingberg.
Peut-être est-ce là le fond de l'amour. C'est sûrement le cas du transfert amoureux. La présence de l'analyste est la condition nécessaire pour qu'un transfert puisse naître; mais trop de présence, une présence trop affirmée, en chair et en os, et trop constante, entrave le déploiement du transfert, lui assigne une direction et une seule.
Absent présent, présent absent définit la place, la non-place de l'analyste: cette non-place sans cesse réinventée qui favorise la « correspondance » amoureuse, l'échange de lettres adressées à l'homme inconnu, à la femme lointaine.
*
Quand Freud écrit que l'amour de transfert ne peut pas être différencié d'un « véritable » amour, il reconnaît du même coup que tout amour est amour de transfert, non parce qu'il ne ferait qu'en répéter un autre, infantile, mais parce qu'il crée son objet, qu'il l'invente dans le double sens du mot invention : fiction et trouvaille.
J.-B. Pontalis
in En marge des jours
© Éditions Gallimard, 2002
Mais aqui
Après 1948, pendant les années de la révolution communiste dans mon pays natal, j'ai compris le rôle éminent que joue l'aveuglement lyrique au temps de la Terreur qui, pour moi, était l'époque où «le poète régnait avec le bourreau» (La vie est ailleurs). J'ai pensé alors à Maïakovski; pour la révolution russe, son génie avait été aussi indispensable que la police de Dzerjinski. Lyrisme, lyrisation, discours lyrique, enthousiasme lyrique font partie intégrante de ce qu'on appelle le monde totalitaire; ce monde, ce n'est pas le goulag, c'est le goulag dont les murs extérieurs sont tapissés de vers et devant lesquels on danse.
Plus que la Terreur, la lyrisation de la Terreur fut pour moi un traumatisme. À jamais, j'ai été vacciné contre toutes les tentations lyriques. La seule chose que je désirais alors profondément, avidement, c'était un regard lucide et désabusé. Je l'ai trouvé enfin dans l'art du roman. C'est pourquoi être romancier fut pour moi plus que pratiquer un «genre littéraire» parmi d'autres; ce fut une attitude, une sagesse, une position; une position excluant toute identification à une politique, à une religion, à une idéologie, à une morale, à une collectivité; une non-identification consciente, opiniâtre, enragée, conçue non pas comme évasion ou passivité, mais comme résistance, défi, révolte. J'ai fini par avoir ces dialogues étranges: «Vous êtes communiste, monsieur Kundera ? — Non, je suis romancier.» «Vous êtes dissident? — Non, je suis romancier. » «Vous êtes de gauche ou de droite? — Ni l'un ni l'autre. Je suis romancier. »
Dès ma première jeunesse, j'ai été amoureux de l'art moderne, de sa peinture, de sa musique, de sa poésie. Mais l'art moderne était marqué par son «esprit lyrique», par ses illusions de progrès, par son idéologie de la double révolution, esthétique et politique, et tout cela, peu à peu, je le pris en grippe. Mon scepticisme à l'égard de l'esprit d'avant-garde ne pouvait pourtant rien changer à mon amour pour les œuvres d'art moderne. Je les aimais et je les aimais d'autant plus qu'elles étaient les premières victimes de la persécution stalinienne; Cenek, de La Plaisanterie, fut envoyé dans un régiment disciplinaire parce qu'il aimait la peinture cubiste; c'était ainsi, alors: la Révolution avait décidé que l'art moderne était son ennemi idéologique numéro un même si les pauvres modernistes ne désiraient que la chanter et la célébrer ; je n'oublierai jamais Konstantin Biebl : un poète exquis (ah, combien j'ai connu de ses vers par cœur!) qui, communiste enthousiaste, s'est mis, après 1948, à écrire de la poésie de propagande d'une médiocrité aussi consternante que déchirante; un peu plus tard, il se jeta d'une fenêtre sur le pavé de Prague et se tua; dans sa personne subtile, j'ai vu l'art moderne trompé, cocufié, martyrisé, assassiné, suicidé.
Ma fidélité à l'art moderne était donc aussi passionnelle que mon attachement à l'antilyrisme du roman. Les valeurs poétiques chères à Breton, chères à tout l'art moderne (intensité, densité, imagination délivrée, mépris pour «les moments nuls de la vie»), je les ai cherchées exclusivement sur le territoire romanesque désenchanté. Mais elles m'importaient d'autant plus. Ce qui explique, peut-être, pourquoi j'ai été particulièrement allergique à cette sorte d'ennui qui irritait Debussy lorsqu'il écoutait des symphonies de Brahms ou de Tchaïkovski; allergique au bruissement des laborieuses araignées. Ce qui explique, peut-être, pourquoi je suis resté longtemps sourd à l'art de Balzac et pourquoi le romancier que j'ai particulièrement adoré fut Rabelais.
Milan Kundera
in Les testaments trahis
[sixième partie Oeuvres et Araignées [# 7, pp. 185-187]
© Milan Kundera / Editions Gallimard 1993
FIDÈLE À RABELAIS
ET AUX SURRÉALISTES
QUI FOUILLAIENT LES RÊVES
Je feuillette le livre de Danilo Kis, son vieux livre de réflexions, et j'ai l'impression de me retrouver dans un bistro près du Trocadéro, assis en face de lui qui me parle de sa voix forte et rude comme s'il m'engueulait. De tous les grands écrivains de sa génération, français ou étrangers, qui dans les années quatre-vingt habitaient Paris, il était le plus invisible. La déesse appelée Actualité n'avait aucune raison de braquer ses lumières sur lui. «Je ne suis pas un dissident», écrit-il. Il n'était même pas un émigré. Il voyageait librement entre Belgrade et Paris. Il n'était qu'un «écrivain bâtard venu du monde englouti de l'Europe centrale». Quoique englouti, ce monde avait été, pendant la vie de Danilo (mort en 1989), la condensation du drame européen. La Yougoslavie: une longue guerre sanglante (et victorieuse) contre les nazis; l'Holocauste qui assassinait surtout les Juifs de l'Europe centrale (parmi eux, son père); la révolution communiste, immédiatement suivie par la rupture dramatique (elle aussi victorieuse) avec Staline et le stalinisme. Si marqué qu'il ait été par ce drame historique, il n'a jamais sacrifié ses romans à la politique. Ainsi a-t-il pu saisir le plus déchirant: les destins oubliés dès leur naissance; les tragédies privées de cordes vocales. Il était d'accord avec les idées d'Orwell, mais comment aurait-il pu aimer 1984, le roman où ce pourfendeur du totalitarisme a réduit la vie humaine à sa seule dimension politique exactement comme le faisaient tous les Mao du monde? Contre cet aplatissement de l'existence, il appelait au secours Rabelais, ses drôleries, les surréalistes qui «fouillaient l'inconscient, les rêves». Je feuillette son vieux livre et j'entends sa voix forte et rude: «Malheureusement, ce ton majeur de la littérature française qui a commencé avec Villon a disparu.» Dès qu'il l'eut compris, il a été encore plus fidèle à Rabelais, aux surréalistes qui «fouillaient les rêves» et à la Yougoslavie qui, les yeux bandés, avançait déjà, elle aussi, vers la disparition.
Milan Kundera
in Une rencontre* p.160-161
© Milan Kundera 2009 - Éditions Gallimard 2009
* ... rencontre de mes reflexions et de mes souvenirs; de mes vieux thèmes (existentiels et esthétiques) et mes vieux amours (Rabelais, Janacek, Fellini, Malaparte...)...
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Ruy Cinatti (1915-1986)
Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes", leu o escriturário por detrás do balcão do consulado de Portugal em Londres. Muito novo, era poeta ainda por publicar: acometeu-o uma aura de deslumbramento. Levantou os olhos do passaporte e fitou o homem do outro lado.
"O senhor é o Ruy Cinatti?"
"Sou, sou" respondeu o outro. "Não é por mal..."
Nada foi por mal, na vida do Ruy. Havia rigores desapiedados: "Eu, com o Antigo Testamento entendo-me. Mas depois veio aquele gajo, glú-glú, fló-fló — estragou tudo!" Esta dureza mais do que calvinista atravessava sem confrontos mortais a tibieza moral dos nossos costumes por vir entrecortada pelas interjeições onomatopaicas e outras idiossincracias verbais que faziam parte permanente da fala do Ruy. Quem tratava com ele aprendia a dar-lhes sentido (para o Senhor Moreira, há meio século dentro do quiosque do Príncipe Real, entra o ano sai o ano, do nascer do sol à meia noite, "glú-glú e fló-fló" queria sempre e somente dizer "um maço de Porto e uma carteira de fósforos"). Impediam que ele degenerasse de moral em moralista e agasalhavam numa capa de pudor a sua carência afectiva essencial.
Em "O Livro do Nómada meu Amigo" lê-se este verso:
"Quem não me deu amor não me deu nada."
A poesia é uma coisa, a vida outra: entre a palavra escrita e a conversa desconjunta-se um universo; além disso, mais ainda do que em outros grandes poetas, a maneira do Ruy falar de si era muito diferente da sua maneira de escrever. O sentimento que levara ao verso acima, poderia, de viva voz, chegar-nos assim:
"Gadulha, eu quero ir ao cinema..."
Ditos deste — e o jeito de os dizer — irritavam de sobremaneira muita gente que os tomava por exibição oportunista e ridícula de mimo. Mas não irritava quem encontrara em Ruy Cinatti qualquer coisa de inefável, um milagre fugaz e intermitente que nos fora dado testemunhar. Por dentro do casulo de maneirismos luzia um cristal indestrutível. No nosso mundo relativo vingara uma exigência de absoluto.
Nos últimos anos, deambulava pelas ruas de Lisboa, distribuindo fotocópias de poemas seus sobre Timor, espécie de Catitinha literário, figura de escárnio e compaixão. A tragédia de Timor, onde fora agrónomo e etnógrafo, tornara-se para ele uma obsessão moral mas os poderes que havia não o compreendiam nem o consideravam. A esquerda republicana — maçónica e machista — sempre o achara um diletante efeminado. Com os comunistas, em 1974, talvez se pudesse ter entendido mas, do lado de lá de um nevoeiro filosófico, eles eram, afinal de contas, tão brutais como os ocupantes indonésios da terra que ele amara sobre todas as outras. Os amigos de direita tinham desaparecido da política no 25 de Abril e a nova direita desconfiava do seu pendor igualitário. Da nova esquerda estava longe: "Eu fui criado à direita mas foge-me o corpo para a esquerda — e o que vejo por aí é o contrário". Isto no tempo da expansão marcelista, quando ganhar muito dinheiro passara a ser 'de rigueur' para o escol da gente nova, mesmo daquela que fizera nome no antifascismo universitário.
Uma das últimas vezes que estivemos juntos contou da sua ida ao Ballet Gulbenkian perguntar se o aceitavam (aos sessenta e cinco anos). Pôs um disco no gramofone e demonstrou. Depois dele sair, minha mulher, que é coreógrafa, disse-me que nunca vira nada assim: quem tenta dançar ballet sem ser bailarino procura sempre imitar a maneira de dançar dos bailarinos. Ruy Cinatti não imitara ninguém: entrara inteiro na música e, sem técnica, dançara com expressão lírica inultrapassável. Foi-se embora tarde, muito bêbedo e esqueceu-se lá em casa da boquilha que nunca cheguei a devolver-lhe. Guardo-a agora como uma relíquia. Nasceu no exílio em Londres em 1915 e morreu no exílio em Lisboa em 1986.
José Cutileiro
in Publico 9.6.1991
Imagem (e cinco poemas): aqui
Partindo de Lisboa no sábado de manhã, haverá tempo suficiente (dormindo em SETÚBAL), para apreciar lindíssimos trechos marítimos (do OUTÃO, da ARRÁBIDA e de SESIMBRA), o maravilhoso panorama do Castelo de PALMELA, palácios, quintas, monumentos e, no percurso, os mais pitorescos aspectos da risonha paisagem estremenha.
Desenho de Bernardo Marques?
Revista Panorama, nº 11, Ano 2, 1942
22 x 38 x 23 cm
Image from the CD-Rom The Madre de Deus Crib
photographs: José Pessoa/Cintra&Castro Caldas
© Instituto dos Museus e da Conservação / Museu Nacional do Azulejo 2007
on-line collective catalogue of Portuguese Museums MatrizNet
1865-1965
Emissão Comemorativa do 1.° Centenário da Cruz Vermelha Portuguesa
Coloca-se Portugal entre os primeiros países a abraçar o ideal humanitário da Cruz Vermelha, visto como, dois anos após a fundação do 1.° Comité da Cruz Vermelha internacional, em 1863, em Genebra, o nosso país aderia à ideia do grande benemérito que foi Henri Dunant, pela dedicação exaustiva do seu 1.° Secretário-Geral e verdadeiro fundador da Cruz Vermelha Portuguesa o Dr. José António Marques. Assim se fundava em 11 de Fevereiro de 1865 a 1ª Comissão Executiva da Cruz Vermelha Portuguesa sob a designação, que primeiramente teve, de Comissão Portuguesa de socorros a feridos e doentes militares em tempo de guerra.
Mais tarde, com o alargamento do seu âmbito de acção, além das guerras e conflitos armados, as emergências, catástrofes, cataclismos, assistência sanitária e médico-social em tempo de paz, passou a designar-se pelo nome de Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, participando, após a Grande Guerra, da Liga das Sociedades da Cruz Vermelha.
Durante um século de existência a Cruz Vermelha Portuguesa esteve sempre fiel aos seus elevados princípios de desinteressada ajuda humanitária, sem preconceitos políticos e religiosos, tanto no campo nacional como no internacional, sempre presente em todas as convulsões políticas, em todas as vicissitudes por que o país, o mundo, têm passado.
Passa neste ano de 1965 o 1.° Centenário da Cruz Vermelha Portuguesa, tendo Portugal anteriormente aderido ao último enunciado das Convenções de Genebra de 1949, que já foram ratificadas.
A Cruz Vermelha Portuguesa, com a personalidade jurídica que o Governo da Nação lhe confere, com os seus vários departamentos e voluntariado, com as numerosos Delegações da Metrópole como do Ultramar, sempre a postos e pronta a todos os sacrifícios para bem da humanidade, encara com orgulho o trabalho executado ao longo desta caminhada de um século e com a certeza da sua acção no futuro.
Como era de esperar e merecidamente, tem sido destacadas as homenagens e manifestações de apreço por parte de toda a Nação neste ano em que celebra o Centenário e a essas comemorações não poderia faltar a emissão do selo comemorativo.
Leonardo de Sousa Castro Freire
Presidente Nacional da Cruz Vermelho Portuguesa
Os selos (design de Manuel Rodrigues) estão aqui reproduzidos na escala de 1,5:1 nas suas cores reais.
Cruz Vermelha Portuguesa aqui
Museu dos CTT aqui
Timor, anos 20 do séc. XX?
A luz do petróleo incendiava a casa de estrelas. E íamos, toda a gente, a família e os que viviam connosco em família, festejar o nascimento de Jesus que o galo anunciara.[…] Recebíamos presentes trazidos do bazar e que tinham entrado em casa às escondidas. Não eram bem brinquedos, mas coisas que nos enfeitavam — tecidos bonitos, alfinetes de ouro, chinelas bordadas...
A Princesa minha mãe morreu, era menina ainda. Mas o Natal ficou nos meus olhos e na minha alma como afirmação de que Jesus passeara por toda a ilha de Timor tal como o fizera desde Belém a Jerusalém.
*
Na linha de cultos lunissolares, que imprimiu e imprime sinais e marcas indeléveis na alma dos Timorenses, a consubstanciação de Maromak como ente supremo, Deus, não representava qualquer oferta de paz ou de alívio. Pelo contrário o conhecimento, a consciência de Maromak impunha receio e inquietação. […] Carregado de superstições, crente da existência de espíritos vagueando, dominado pela vontade e atitudes de bruxos e feiticeiros, responsabilizado pelos oráculos ou sacerdotes, o Timorense não pôde despir-se de todas as suas vestes ancestrais para com simplicidade tornar-se cristão. Isso explica em grande parte que ainda hoje se prenda tanto à terra e considere os objectos mais variados e lugares, montes, rios, árvores e casas como tabus ou luliks. De facto, entre o Homem e a Terra, e entre o presente e o passado há tão intimas e tão vivas alianças que dir-se-ia ser fácil fazer reviver todas as gerações do passado. De crenças totemísticas, há também animais luliks ou tabus, o que explica a atitude suave de todo o timorense para com os animais. Deve assinalar-se, para melhor acentuar a importância dos luliks na vida dos autóctones de Timor, que tabu significa exactamente uma prática supersticiosa da Oceânia que dá carácter sagrado a determinado ser ou a determinada coisa, proibindo o contacto com ele ou o seu uso. [...] O Cristianismo só o entendem na medida em que lhes garante o caminho para encontrar a Deus, mas querem, na busca, ter presente o melhor e mais subtil do seu passado. Por isso os uma-luliks ou templos permanecem na sua beleza estranha e misteriosa encastoados na paisagem grandiosa da ilha e cultuados pelos que têm os pés mergulhados no húmus mais fundo e mais rico daquele chão. Muitas das cerimónias dos uma-luliks, as de maior relevo, conduzem os crentes a um tal estado de histerismo que findam em incontroláveis orgias. As famílias autóctones cristãs já se despegaram dessas orgias, porque receberam a suavidade da Presença de Jesus e a magnitude da Sua mensagem. [...] Como no tempo em que eu era pequeno e a Princesa minha mãe menina, os autóctones cristãos dessa ilha suave e viril, fruto de uma inexplicável simbiose de beleza e força, cultuarão o Menino Jesus na noite de Natal. E tal como eu, também os meninos de agora ouvirão das bocas de suas mães as palavras de anúncio do Anjo Gabriel:
Ave Maria, graça barak liu iha Ita-Boot; Maromak ho Ita-Boot; Ita-Boot di'ak liu feto hotu-hotu; Ita-boot nia Oan, Jesus, di’ak liu.
Santa Maria, Maromak nia Inan, haro-han ba Na'i Maromak tan ba ami-ata salan, oras ne'e ho oras ne'ebé ami-ata becik atu mate. Amen.
Fernando Sylvan aqui
Excertos de “Iha Kalan Boot – Jesus Mouris – Iha Manu Kokoreek”
Foto (data desconhecida) e texto publicados em Panorama Revista de Arte e Turismo nº 24-III Série-Dezembro de 1961 - Edição do SNI, Lisboa
Quatro panorâmicas e figuras aguareladas de usos e costumes das cidades ou regiões representadas:
1a Panorâmica—Configuração da Entrada da Barra de Goa; 2/1 Panorâmica—Perspectiva da Praça de Dio vista do mar; 3ª Panorâmica—A entrada do Rio de Janeiro; 4ª Panorâmica—Vista da Ilha de Moçambique, tirada do seu porto. Séc. XVIII.
in Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo
Nota:
Documento apresentado em exposição no Museu Militar de Lisboa integrada nas comemorações do V Centenário da Morte do Infante Dom Henrique, 1960.
Ferro, António Joaquim Tavares (Lisboa, 17-8-1895 - Lisboa, 11-11-1956). A sua personalidade de escritor, jornalista e político evoca, habitualmente, na recorrência memorial uma dupla circunstância: editor de Orpheu, a convite de Mário de Sá-Carneiro, com apenas 19 anos; fundador--director do Secretariado da Propaganda Nacional (após 1944, denominado de Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo), por convite de António de Oliveira Salazar, a fim de promover a «política do espírito» do «Estado Novo». Sendo certas essas duas evidências, elas não esgotam contudo as manifestações de uma complexa vivência, que articulou de forma hábil a acção cultural com a acção política, entrelaçadas por uma muito particular dimensão estética, e que se pode, em visão estrutural, periodizar deste modo: 1914-17 (irrupção poética e cívica), 1918-32 (resistência à cultura e à política republicana demoliberal), 1933-49 (vertigem da propaganda salazarista) e 1950-56 (solidão do diplomata). [...]
Ernesto Castro Leal
in "António Ferro" Dicionário de História de Portugal- VIII
Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica
© Livraria Figueirinhas
Imagem: A.F. c. 1940
António Joaquim Tavares Ferro (1895-1956)
A RTP2 exibe no próximo domingo um documentário sobre António Ferro, da autoria de Paulo Seabra, projecto que tive o gosto de acompanhar desde o princípio. O Paulo sabe que eu estimo António Ferro e o trabalho das equipas de que se rodeou no SPN e no SNI, e que gostava de ver mais valorizado o seu legado [1].
Sou suspeita, já que como alguns leitores sabem, António Ferro era “muito lá de casa” [2] ou melhor dizendo muito lá de casa de meus avós maternos, com quem vivi vários anos. E sem nunca o ter conhecido pessoalmente, nem a sua mulher, Fernanda de Castro [3], tenho a sensação de os conhecer desde sempre de casa de meus avós, que os recordavam com grande amizade e admiração. Com gratidão também: em poucas palavras, para quem não conhece a história, estes meus avós tinham sido ricos e perdido tudo em 1929; meu avô Guilherme Pereira de Carvalho [4], quase a chegar aos 40 anos e com três filhos pequenos, empregara-se pela primeira vez na vida a vender automóveis. Três anos depois foi convidado por António Ferro a integrar o SPN como seu secretário pessoal. Era o trabalho ideal para o seu feitio, a garantia de um salário ao fim do mês e, last but not least, a promessa de uma existência infinitamente mais “rica” do que tudo aquilo com que pudessem ter sonhado desde o seu revés de fortuna. Lembro-me de minha avó descrever uma viagem de navio à Argentina, por ocasião de um congresso de escritores, depois de estar "convencida de que nunca mais faria uma viagem", e da satisfação com que recordava o convívio com intelectuais e artistas estrangeiros que passaram por Portugal nesses anos. Guardava dessa época uma vasta colecção de autógrafos em pequenos álbuns encadernados, especialmente concebidos para o efeito.
Ultimamente, novas descobertas proporcionadas pela exaustiva recolha documental e iconográfica realizada por Paulo Seabra para o documentário aprofundaram o meu interesse por António Ferro. Depois deste filme resta-nos apenas esperar por uma biografia moderna digna deste homem carismático, que eu imagino, no auge da «política do espírito», a reinventar o Império assim à maneira dum grande produtor do cinema clássico de Hollywood.
ESTÉTICA PROPAGANDA UTOPIA no Portugal de António Ferro
RTP2 | DOMINGOS 9 e 16 de DEZEMBRO de 2012 | 21h
Notas:
IMAGEM: Fototeca Palácio Foz (actualmente, na Direcção-Geral de Arquivos/Torre do Tombo) s/data, encontrada aqui e que lembra esta aqui
1. A loja A Vida Portuguesa, a vitória de um movimento cívico pela reabertura do Museu de Arte Popular, em 2010, e diversos blogs contribuíram de forma importante para o reconhecimento da produção do SNI. Mais neste blog aqui e na tag "arte popular"
2. Uma expressão favorita de João Bénard da Costa e título de um dos seus livros. Leia mais aqui.
3. Fernanda de Castro aqui e numa fotografia de Cecil Beaton aqui
4. Guilherme Pereira de Carvalho aqui e os meus dois avós nos anos 20 aqui
5. Fundação António Quadros aqui e aqui
6. A poesia dos simples: arte popular e nação no Estado Novo, de Vera Marques Alves aqui
Audições no fim do ano lectivo na Academia de Amadores de Música*, Lisboa, Junho 1969.
Miguel Azevedo e Sílvia Camilo. Flauta de bisel. Professora: Catarina Latino
São 23 obras para piano, compostas ao longo de três décadas por Fernando Lopes-Graça para aniversários, bodas e outros acontecimentos como a inauguração de uma casa ou um simples convívio de amigos.
"Umas são pequenas, outras maiorzinhas. É uma colecção que eu tenho: uma comemoração disto, uma comemoração daquilo, uns anos deste, um casamento daquele... São "Músicas Festivas" (F.L.G. fev. 1986).
Em 1962, ano em que inicia a composição das Músicas Festivas, Fernando Lopes-Graça muda-se de Lisboa, onde ainda compõe a primeira peça deste ciclo, para um apartamento na Parede. Aí, um pequeno gabinete com um piano vertical passará a ser a oficina do compositor até à sua morte. Após uma fase emocionalmente dilacerante que culminará nessa obra-prima que é Canto de Amor e de Morte (1961), este ciclo de Músicas Festivas parece inaugurar, simbolicamente, uma nova fase na vida do compositor. (1)
partitura original
A colecção inédita — das 23 peças 13 nunca foram tocadas em público e 18 nunca foram gravadas — será registada em múltiplos suportes para permitir a criação de conteúdo não efémero. A iniciativa partiu de um grupo de amigos de que hoje fazem parte três dos dedicatários das Músicas Festivas, entre outros colaboradores, e todas as acções vão por diante apesar de os apoios terem sido muito escassos.
Um Concerto no Centro Cultural de Belém a 16 de Dezembro de 2012 incluirá a maior parte das peças, interpretadas pelo pianista António Rosado e com uma introdução do musicólogo Rui Vieira Nery . Na mesma data serão lançados os quatro volumes das partituras (em papel) e o primeiro volume do CD das Músicas Festivas [2]. Os autores do projecto criaram igualmente um sítio web [3] e um álbum de fotografias digital [4]. Mais tarde será produzido um DVD incluindo o concerto ao vivo e um documentário, com depoimentos dos dedicatários e outras pessoas próximas do compositor.
Além do seu interesse cultural manifesto, esta edição multimédia das Músicas Festivas de Fernando Lopes-Graça é sem dúvida um modelo inspirador de "Álbum de Família" ou, melhor dizendo neste caso, de "Livro dos Amigos".
Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
retratado por Cecília Pinto
Notas:
1 Texto integral de João Espírito Santo (Outubro de 2012) aqui
2 CD: integral Músicas Festivas pelo pianista António Rosado
3 sítio web aqui
4 álbuns de fotografias aqui
5 um perfil de Fernando Lopes-Graça aqui
6 De todos os materiais produzidos serão entregues exemplares ao Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria para serem integrados no espólio do compositor. aqui
7 Imagens deste post encontradas aqui
8 Fernando Lopes-Graça e a Academia de Amadores de Música aqui